Blog do Envolvimento

Enchentes: o que fazer?

Em 2014 tivemos enchentes recordes que atingiram dezenas de municípios no Amazonas, Acre e Rondônia. Na primeira semana de maio deste ano, apenas no Amazonas, 15 municípios estavam em estado de emergência e as cidades de Humaitá e Boca do Acre estavam em estado de calamidade pública. Milhares de famílias permanecem desabrigadas e os prejuízos devastaram a produção agropecuária, causando danos severos a mais de 29 mil famílias, segundo a Defesa Civil.

Os relatórios científicos do IPCCC revelam que a frequência de eventos climáticos extremos está aumentando em todo o mundo. Mais: esta frequência deve aumentar com o agravamento das mudanças climáticas globais. Portanto, devemos esperar um aumento na frequência de cheias e secas recordes. O que fazer diante desse cenário?

O primeiro eixo de ação é reduzir drasticamente a emissão de gases efeito estufa em escala global. Essa emissão, resultante da atividade humana, é a grande responsável pelo aquecimento global. Dentre os grandes desafios está a redução drástica de uso de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural, carvão mineral etc). O desafio é reduzir as emissões atuais em 40-70% até 2050. Só assim poderemos evitar que a situação chegue a níveis catastróficos nas próximas décadas.

O segundo eixo de ação é desenvolver formas de adaptação às mudanças climáticas que já estão acontecendo e são inevitáveis. Adaptar às mudanças climáticas significa ajustar os sistemas de produção, as moradias e a vida em geral aos fenômenos climáticos extremos. Esta é uma agenda urgente, de curto prazo, mas que deve também ter um horizonte de médio e longo prazo. O que fazer diante da enchente de 2014? O que fazer para se adaptar às futuras enchentes de grandes proporções?

A prioridade de curtíssimo prazo deve ser atenuar o sofrimento das famílias e comunidades atingidas, com ações humanitárias. Nesta categoria incluem-se auxílios financeiros, doação de alimentos e roupas, água potável, alojamentos emergenciais etc. Isso vem sendo feito pelas instituições governamentais das esferas estadual, municipal e federal. Ações humanitárias também vêm sendo realizadas por organizações não governamentais de diferentes perfis. Estas ações humanitárias podem e devem ser objeto de um aprimoramento continuo para que a cada ano possam ganhar eficiência e eficácia.

A prioridade de curto prazo deve ser recompor a renda, especialmente dos produtores rurais e extrativistas. Para isso, culturas de ciclo curto (milho, feijão, melancia, abóbora etc), que podem dar resultado em poucos meses.

A médio e longo prazo devem ser pensadas mudanças estruturais, incluindo mudança na localização de moradias, evitando locais de maior vulnerabilidade. Além disso, é necessário mudar os sistemas de produção, evitando culturas mais vulneráveis. Na calha do Rio Madeira, por exemplo, o cultivo de mandioca, banana e até cacau foram fortemente afetados. Plantios de açaí apresentaram maior resiliência. A gestão das comportas das barragens deve ser aprimorada.

O fato é que não há mais espaço para tratar os eventos climáticos extremos como se fossem fenômenos pontuais e raros. As grandes cheias e secas ficarão cada vez mais frequentes no Amazonas. É necessário pensar de forma estratégica e desenvolver soluções para se adaptar a esse fenômeno. Ao mesmo tempo em que nos adaptamos a isso, devemos seguir lutando por um esforço global, especialmente das sociedades mais ricas, para reduzir as emissões de gases efeito estufa. Só assim poderemos evitar o agravamento desse quadro.

Artigo publicado no Jornal Diário do Amazonas, em 08 de maio de 2014

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