O valor do carbono do Amazonas

Estamos diante de um desafio enorme para a redução das emissões de gases que causam o aquecimento global. Frequentemente o debate sobre o valor do carbono se baseia em informações imprecisas, o que dificulta o debate público. Isso é particularmente importante para o Amazonas, que detém 10% de todo o carbono florestal oriundos de florestas tropicais no mundo.

O volume total de carbono que a atmosfera global tem capacidade de armazenar, sem que isso se transforme em uma catástrofe climática, é de 5500 bilhões de toneladas de CO2 até 2100. Atualmente, as emissões globais alcançaram 50 bilhões de toneladas de CO2 por ano. A ciência aponta para a necessidade de reduzir as emissões para 44 bilhões toneladas de CO2 por ano até 2020. O Brasil assumiu o compromisso de reduzir suas emissões em 36% a 39% até 2020.

Existe uma enorme convergência internacional sobre a necessidade de valorizar o carbono. O grande desafio é como fazer isso. 

O problema é que o carbono, ao contrário de produtos como a farinha e o frango, não possui um valor de mercado. O valor pode ser criado pelo que se chama de “mercado voluntário”, fruto da motivação de indivíduos, empresas ou governos compensarem suas emissões. O mais comum, entretanto, é que o valor do carbono seja resultado de políticas públicas na esfera municipal, estadual, federal ou internacional.  Nesse sentido, o Amazonas está perdendo o bonde da história e ficando para trás.

Existem diversas alternativas sendo debatidas e implementadas pelo mundo. Uma delas é por meio da criação de taxas e impostos diferenciados para os que emitem carbono. As companhias aéreas da Europa, desde 2009, têm o compromisso de compensar suas emissões. O Governo Obama acaba de instituir uma série de medidas para reduzir as emissões de gases efeito estufa nos EUA. Hoje, a China é a maior emissora, contudo, também instituiu diversas medidas com o mesmo objetivo.

O Amazonas deu um passo importante, ao promulgar a primeira lei sobre mudanças climáticas, em 2007 – a primeira do Brasil. Com isso, o Amazonas passou a ter voz ativa nas negociações internacionais e nacionais sobre mudanças climáticas. Isso foi de grande importância, visto que existem grandes interesses em não valorizar o carbono das florestas. Vale lembrar que o Protocolo de Quioto, que regula até hoje o mercado de carbono, deixou de fora o carbono florestal. Esse mercado de carbono, apenas na Europa, alcançou a cifra de  R$ 320 bilhões,  em 2011, com um valor médio de R$ 50,00 por tonelada de CO2. Nossa luta era para que 10% desse mercado pudesse ser destinado para a valorização do carbono florestal em todo o mundo.

Publicado no Jornal Diário do Amazonas, em 28 de agosto de 2014

Floresta nativa no Médio Juruá.

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